Inquietação
Inquietação
INQUIETAÇÃO
“Você acredita no destino?
Que forças governam o curso da história?
Se ela acreditava em destino? Não. Quer dizer, não muito.
Sofia nunca tinha refletido sobre o que governa o curso da história. Não seriam as próprias pessoas? Se fosse Deus, ou o destino, as pessoas não teriam livre-arbítrio.
Ser “fatalista”, significa acreditar que tudo o que vai acontecer já está determinado previamente. No templo de Delfos havia uma famosa inscrição: CONHECE-TE A TI MESMO!
E ela ficava ali para lembrar aos homens que eles não passavam de meros mortais e que nenhum homem pode fugir de seu destino. “
(O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder)
Pensamentos sobre o destino são meus companheiros desde a infância. Imaginar que tudo está determinado nesta minha jornada, sempre, me soou estranho. Coisas prescritas bloqueiam minha curiosidade e, portanto, minha imaginação, minha criatividade.
E eu sou curiosa, Muito Curiosa!!
O Mundo, a Vida, remetem à ideia de movimento. Movimento de busca incessante pelo meu eu, por minhas crenças, por respostas ou novas perguntas que possam descortinar meus mistérios: quem sou, o que estou fazendo aqui, qual a minha valia, para onde estarei indo.
Colocar o pé na estrada, seja ela qual for, entre vários objetivos, tem aquele que é meu Norte: me encontrar, mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez. A cada encontro, em novo destino, com um novo destino, surgem novas respostas aos meus mistérios e então, reconstruo-me, reposiciono-me, recomeço-me. Traço novos objetivos, mudo minha dieta, mudo meu jeito de vestir, mudo a varanda da casa, mudo quase tudo.
Porque o meu destino é movimento, e é reconstruído a cada novo destino traçado.
E a inquietação pelo novo destino, pela nova estrada, pelo novo eu, esta sim, é permanente, governa o curso da minha história. Não há como fugir dela. Não há como fugir da minha curiosidade, do desejo de experienciar o tempo, de colocar em prática esta habilidade humana que impulsiona a transformação, a mudança. A novidade traz com ela a sensação de um início, a sensação de estar sempre no começo de tudo.
E é bom imaginar que esta ilusão possa se transformar, de certa forma, em algo possível.
Sou uma mera mortal mesmo e não fujo do meu destino.
Vou ao encontro dele, participo de forma ativa da sua construção.
Não sou fatalista.
Os Deuses que me perdoem!